A cada temporada, os olhos do mundo da moda se voltam para Copenhague. Nos últimos anos, a Copenhagen Fashion Week (CPHFW) deixou de ser apenas um evento regional para se tornar a quinta grande semana de moda — ao lado de Paris, Milão, Londres e Nova Iorque. Mas o que torna esse evento tão especial?
Mais do que passarelas e coleções, a CPHFW se firmou como um símbolo de inovação e sustentabilidade, reposicionando a forma como entendemos a moda contemporânea.
Uma breve história da Copenhagen Fashion Week
Criada em 2006, a Copenhagen Fashion Week nasceu da fusão de feiras locais de moda masculina e feminina. Hoje, ela é organizada pelo Danish Fashion Institute, funcionando com um modelo híbrido: 85% financiado por parcerias comerciais e 15% por apoio público.
Em 2018, um ponto de virada aconteceu: Cecilie Thorsmark assumiu como CEO e implantou uma agenda pioneira de sustentabilidade. A partir de 2020, todas as marcas passaram a ter que cumprir critérios ambientais e sociais para desfilar — algo inédito entre as grandes fashion weeks. Esse movimento garantiu à CPHFW o reconhecimento como a semana de moda mais sustentável do mundo.
Os pilares do evento
A estratégia da CPHFW está apoiada em três grandes pilares:
Educar: incentivar marcas, designers e consumidores a adotarem práticas mais conscientes.
Reduzir: diminuir a pegada ambiental do setor, impondo requisitos mínimos para quem participa.
Acelerar: fomentar inovação, colaborando com projetos e startups que pensam a moda de forma disruptiva.
Essa postura fez de Copenhague um modelo global, inspirando inclusive outras semanas de moda, como Londres, a adotarem medidas semelhantes.
Por que Copenhague ganhou tanto reconhecimento?
Além da sustentabilidade, o evento se destaca por:
Experiências criativas: desfiles em locais icônicos, misturando moda com música e sensorialidade.
Valorização do talento local: o programa CPHFW NewTalent apoia novos designers escandinavos.
Identidade própria: um mix entre minimalismo nórdico, funcionalidade e ousadia criativa.
O resultado? Um evento que atrai a imprensa internacional e coloca marcas emergentes lado a lado com grifes já consolidadas.
Tendências que marcaram os desfiles
Nas últimas edições, algumas tendências se destacaram — e você provavelmente vai ver muito delas nos próximos meses:
Decotes assimétricos
Bermudas em propostas casuais e alfaiataria
Poás e listras revisitados
Tons pastel, com destaque para o amarelo manteiga
Vermelho vibrante
Renda branca e transparências
A volta dos acessórios clássicos, como gravatas e lenços
Um mix entre o clássico e o despojado, o sensual e o utilitário, traduzindo bem o espírito escandinavo: leveza com propósito.
Marcas que chamaram atenção
Entre os destaques da edição, três nomes merecem ser citados:
Iamisigo
Fundada pela designer nigeriana Bubu Ogisi, a marca se tornou conhecida por unir artesanato africano, narrativas culturais e sustentabilidade. Suas coleções exploram fibras naturais, técnicas tradicionais e peças que funcionam quase como obras de arte. A presença da Iamisigo em Copenhague reforça a abertura do evento para vozes globais e diversidade cultural.
Freya Dolsjø
Designer norueguesa baseada em Copenhague, Freya Dolsjø trabalha com uma estética que mistura alfaiataria desconstruída, silhuetas modernas e referências minimalistas. Suas criações desafiam a ideia de funcionalidade, trazendo cortes precisos e, ao mesmo tempo, uma fluidez que conversa com a moda escandinava contemporânea.
MKDT Studio
Marca dinamarquesa que aposta em linhas limpas, cortes retos e elegância discreta, típica do design nórdico. O MKDT Studio representa bem o DNA da CPHFW: peças atemporais, sustentáveis e sofisticadas, que unem praticidade e estilo. É uma das casas que mais traduz o espírito de “menos é mais” da moda dinamarquesa.
A Copenhagen Fashion Week mostra como a moda pode ser um instrumento de transformação cultural e ambiental. Para estudantes, criadores e apaixonados por moda, acompanhar esse evento é mergulhar em um universo onde criatividade e responsabilidade caminham lado a lado.
Um convite para repensar o consumo, valorizar o artesanal e abraçar a moda como expressão de identidade — consciente, ousada e global.
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