Poucos padrões atravessaram tantos séculos, classes sociais e culturas quanto o xadrez. Sua origem mais célebre está nas Terras Altas da Escócia, onde os tartans (os tecidos de lã com listras cruzadas em cores específicas) identificavam clãs e famílias. Mais do que estampa, o xadrez era uma espécie de “sobrenome têxtil”: cada combinação de cores contava de onde alguém vinha.
No século XVIII, o padrão se tornou tão ligado à identidade escocesa que chegou a ser proibido por lei após a derrota dos clãs em 1746. Vestir tartan virou ato de resistência. Quando a proibição caiu e a rainha Vitória se encantou pela Escócia no século XIX, o xadrez renasceu como símbolo de elegância e tradição.

Muito além de uma estampa
Desde então, virou o vichy delicado dos vestidos de verão, o xadrez de lenhador das camisas de flanela, o quadriculado da Burberry, o uniforme rebelde do movimento punk e o visual despojado do grunge dos anos 90. No Brasil, ganhou um lugar afetivo especial: é a estampa das festas juninas, das toalhas de mesa, das camisas de quadrilha e do aconchego das noites frias. Resistente, democrático e cheio de memória, o xadrez prova que um padrão simples pode carregar histórias inteiras.
E em junho, ele veste a Comunidade Inaá.
Estilo Criativo: O xadrez é um convite a brincar. Pintar quadriculados, bordar sobre a trama, customizar uma peça xadrez já existente, tudo isso permite experimentar cores, formas e texturas a partir de um padrão que parece simples, mas aceita infinitas releituras.
Estilo Tradicional: Técnicas como crochê, tricô e costura recriam essa trama ponto a ponto, carregando histórias que atravessam gerações afinal, o próprio xadrez começou como um “sobrenome têxtil” que identificava famílias.

O xadrez agora: o clássico que voltou repaginado
Se há um padrão dominando a moda neste exato momento, é o xadrez. Em 2026 ele deixou de ser apenas um clássico atemporal para se tornar a estampa da temporada, a ponto de ser apelidado de “o novo poá”. Nas passarelas de Paris, mais de 68% das coleções trouxeram alguma versão do xadrez, de casas como Chanel e Chloé à Celine, Miu Miu e Burberry.
Em vez do visual grunge ou da nostalgia escocesa, os estilistas apostaram na elegância natural do padrão: alfaiataria impecável, tecidos mais leves e silhuetas repaginadas. Matthieu Blazy, em sua estreia na Chanel, reinventou o icônico tweed da maison com estampas inspiradas no tartan, unindo tradição e futuro no mesmo tecido. Na Burberry, Daniel Lee resgatou os checks britânicos (tartan, vichy, windowpane) em cortes mais soltos e tons terrosos.
Das saias colegiais aos blazers oversized: o padrão da vez
As peças que melhor traduzem essa volta são a saia xadrez, desde a mini de pegada colegial à midi de alfaiataria, e os cortes amplos: blazers oversized, casacos estruturados e vestidos midi que unem conforto e sofisticação. A camisa de xadrez ganhou nova vida sobreposta a golas altas finas, e a calça quadriculada virou aposta certeira com blazer estruturado.
O mais bonito é perceber que o xadrez nunca precisou se reinventar do zero: ele apenas se reorganiza a cada época. Foi símbolo de clã, ato de resistência, uniforme rebelde e aconchego junino, e agora retorna como sinônimo de elegância contemporânea.



Deixar um comentário